sábado, 17 de abril de 2010

Tempos difíceis

Quando retornei do Japão em 2004 (com a promessa de que voltaria para o Mundial de Taiwan) as perspectivas eram ótimas e eu, lógico, fiquei muito animado.
Ainda quando estava em Macau, disputando com a seleção japonesa uma vaga para o mundial e o título do campeonato asiático, recebi pelo MSN uma sondagem do Benatti (aquele que me vendeu o Chevette, lembram?). O mesmo tinha acertado com o Action 21 da Bélgica durante a temporada e me disse que caso vencesse as duas competições restantes (liga e copa) iria renovar seu contrato por lá e pretendia me levar como preparador físico. Expliquei pra ele a questão da seleção japonesa e ouvi que isso não seria problema. Seria até com para o action 21 ter um prep.físico em uma seleção nacional. Num momento como esse, muita coisa passa na sua cabeça. poder voltar para a Europa e ainda disputar um mundial de seleções. Quando a esmola é demais, o santo desconfia...
Em casa no Rio, eu aguardava uma resposta da JFA (Japan Football Association) sobre meu retorno. Haveria o torneio KL 5 na Malásia no meio do ano e já estávamos em maio. Eu não queria arrumar empregos em academia e ter que pedir para sair um mês depois. Seria queimação de filme.
Um dia, ao checar meus e-mails, recebi uma dose extra de esperança e ânimo. O Benatti havia renovado com o Action 21 e disse que estava negociando minha ida pra lá. Recebi um outro do Ricardo Menezes falando sobre um projeto novo na Inglaterra, visando a difusão do futsal por lá, e se eu estaria interessado. E tinha ainda um e-mail do Johnny (intérprete do Japão) dizendo que ainda não tinha uma resposta sobre minha volta. Muita informação nova para o mesmo dia.

Das três possibilidades a que mais evoluiu e se tornou mais concreta foi minha ida pra Bélgica. Naquela época (acho que entre maio e junho de 2004) eu e o Benatti passamos a nos falar constantemente por telefone e via e-mail. Foi neste mesmo período que sofri o primeiro revés. Houve uma mudança no governo de Kuala Lumpur (Malásia) e o torneio KL 5 foi cancelado. Com isso perdi a chance de ganhar um bom dinheiro e de mais uma bela experiência pessoal e profissional. Pouco depois veio o segundo golpe. Um jab e um direto no queixo pra falar a verdade. Puxaram meu tapete lá no Japão. O mais duro de engolir não foi só o fato que eu não voltaria mais para o Japão e sim a desculpa esdrúxula que o traíra (que me derrubou) me deu.
Foi alegado que eu botei muita pressão para voltar e que eu coloquei esta pessoa contra a parede e blá blá blá... hein ???? Para minha sorte todos os e-mail enviados iam com cópia para o Johnny que leu e não só não viu nada demais como disse que eu estava correto. Acho que isso irritou mais ainda o traíra. Para não me alongar muito neste assunto, eu só queria por parte da JFA uma posição final sobre quando eu voltaria. Passados dois meses sem uma resposta eu não podia ficar em casa esperando a banda passar. Ou eu voltava para o Japão logo ou eu iria procurar emprego no Rio, caso minha volta fosse mais próxima do mundial que seria em dezembro.

Meu castelo de cartas veio abaixo quando telefonei para o Benatti a fim de acertar alguns detalhes finais do meu contrato. Já era final de junho e minha ida para Charleroi na Bélgica estava "certa", com data marcada e tudo mais. Eu embarcaria em meados de julho e havia recusado ofertas de emprego. Ia mas não fui... Fui comunicado que lá em Charleroi as duas equipes rivais (Action 21 e Kickers) fizeram uma fusão e o preparador físico do Kickers (Belga) iria para o Action 21, assim como alguns jogadores brasileiros. Isso não foi um banho de água fria. Foi uma imersão de corpo inteiro numa piscina de gelo. Para fechar o caixão, naquela temporada o Action 21 fez o seu melhor ano, ganhando tudo. Liga e copa na Bélgica e o europeu de clubes (UEFA). Mais uma vez fiquei fora dessa (a outra foi a que o Playas ganhou). Ainda não apaguei esta competição da minha mente. Não fico fissurado em voltar e poder disputar o europeu. Hoje, com a experiência e maturidade, deixo cada ano acontecer naturalmente. Até porque estou muito bem aonde estou. Mas meu currículo está incompleto... ah, isso está !

Continua...

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